Dobrando a Carioca 

Jards Macalé, Zé Renato, Moacyr Luz e Guinga

Um encontro de quatro ases da música brasileira ao vivo, no palco do Teatro Sesc Ginástico (RJ).
Assim é o registro em CD e DVD do espetáculo “Dobrando a Carioca”, que chegou às lojas via Biscoito Fino, numa parceria com o Canal Brasil.
Trata-se de um projeto que nasceu há dezoito anos numa mesa do centenário Bar Luiz, no Centro do Rio. Ou, como bem definiu Moacyr Luz, é “uma partida entre amigos, todos jogando pro mesmo lado, pro mesmo gol”. Além de Moacyr (voz, violão e percussão), os craques escalados são Zé Renato ( voz, violão e percussão), Jards Macalé (voz, violão e percussão) e Guinga (voz e violão).
Em cena, os quatros alternam canções autorais e clássicos como “Um a Zero”(Pixinguinha/Benedito Lacerda  e Nelson Angelo), “A saudade mata a gente” (Antônio Almeida e João de Barro), “Acertei no Milhar” (Wilson Batista e Geraldo Pereira) e “Nega Dina”(Zé Keti) .


Por Moacyr Luz:

Recebo um telefonema do Paulo Roberto me convidando pra uma temporada do projeto Seis e Meia noTeatro João Caetano. Eu já conhecia o espaço, dos camarins à boca de cena, de tempos atrás, quandocantei ali por duas semanas com o craque João Nogueira e ainda tremia por conta das infindáveisfileiras de cadeiras naquela "arena carioca".Meu circuito musical girava em torno de alguns nomes que repetiam a minha curva de admiração. Naprimeira reta, Guinga, que eu conheci em 1973. Eu tocando dois acordes num violão de estudanteenquanto ele, sob olhares perplexos, inventava dissonâncias até hoje únicas e misteriosas. Depois,
chegou, cascudo e nascido no maciço da Tijuca, endereço autobiográfico, a irreverência de Jards Macalé. Macal, para os desconhecidos, é pra mim uma das vozes masculinas de maior expressão do otaque carioca. Sopra um vento na palavra cantada que não canso de aplaudir. Eu ria sozinho pensando na possibilidade de juntar dois eixos da cidade: Jards, da Zona Sul; Guinga, de Quintino.
Na linha de chegada, Zé Renato. Zé é um artista dono de uma bússola particular. Todos os pontos cardeais levam à direção certa. Canta, como poucos, sambas, serestas, afinando tendências, criando espaços pra sua obra, não bastasse ser parceiro de Milton Nascimento, dobrando tons com Tom Jobim, viajando o mundo com Al Di Meola. Cartas abertas, sentamos numa das mesas do centenário Bar Luiz pra tocar idéias. Hélio de Souza, membro da equipe do teatro, sugeriu chamar esse encontro de "Os Violões". Acontece que na conversa entre calderetas e pratos alemães havia um jornalista registrando os risos e os rabiscos de um roteiro
em construção. Distraído, nos perguntou em qual direção estava o João Caetano. Alguém apontou:- Dobrando a carioca...
Todos se cutucaram com olhos de "achado" e é com esse nome que hoje, dezessete anos depois daquele outubro de 1999, continuamos essa história, registrando o DVD em outro endereço sagrado, o Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro.

Entre várias curiosidades desse projeto: com uma única exceção, as músicas são as mesmas num repertório popular e autoral. Na mesma ordem, a nossa emoção permance amadora até o terceiro sinal, ansiosos pela introdução do 1X0 do Pixinguinha, uma partida entre amigos, todos jogando pro mesmo lado, pro mesmo gol.

Mudam as mãos, mas continuamos Dobrando a Carioca.

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